Em Paradise, os jovens não ficam apenas em segundo plano. Presley Collins, filha adolescente do agente Xavier Collins, é uma das personagens que mais evolui ao longo da primeira temporada — passando de filha protetora a investigadora acidental que descobre alguns dos maiores segredos do bunker. Interpretada por Aliyah Mastin, ela carrega calor, perspicácia e uma coragem que seu pai talvez ainda não tenha dimensionado.
A série poderia ter a tratado como coadjuvante. Escolheu melhor.
Quem é Presley Collins em Paradise
Presley Collins tem a responsabilidade que a circunstância impõe: filha mais velha de uma família sem mãe, criada por um pai obcecado pelo trabalho, dentro de um bunker subterrâneo onde o fim do mundo já aconteceu. Não é pouca coisa para uma adolescente carregar.
Porém, Presley não carrega esse peso com amargura. Ao contrário: ela é descrita como calorosa, inteligente e dotada de um senso de humor que a torna imediatamente simpática. Dentro da família Collins, ela ocupa o papel que a mãe ausente deixou em aberto — não como substituta, mas como âncora emocional para o irmão James e, às vezes, para o próprio Xavier.
Ela força o pai a comer ovos claros. Está sempre atenta ao estado emocional dos que a rodeiam. E, por baixo dessa leveza, observa tudo com uma acuidade que poucos adultos ao redor percebem.
A relação com Jeremy Bradford
O relacionamento entre Presley Collins e Jeremy Bradford — filho adolescente do presidente assassinado — é uma das linhas narrativas mais delicadas da série. Os dois se encontram num contexto impossível: ela é filha do principal suspeito pela morte do pai dele. Mesmo assim, a conexão acontece de forma orgânica.
Num dos momentos mais tocantes da temporada, os dois trocam confissões num terminal antigo do bunker. Jeremy fala sobre o pai — sobre a música dos anos 80 que Bradford adorava, sobre como Jeremy zombava desse gosto e agora daria tudo para ouvi-lo falar sobre isso de novo. Presley responde falando do pai, Xavier, e da obsessão dele por aviões — uma faceta que ela mesma ridicularizava e que agora sente falta de escutar.
É uma cena construída sobre perda mútua. E é Presley quem cria o espaço para ela acontecer.
A descoberta que muda tudo
O papel de Presley Collins em Paradise vai além da linha sentimental. Numa noite em que visitava a casa do presidente para jogar simulação de golfe com Billy Pace — porque as câmeras daquele cômodo eram desligadas —, ela encontrou algo que não deveria estar ali: o tablet pessoal do presidente Bradford, jogado nos arbustos do lado de fora.
Presley pegou o tablet. Não por malícia, mas porque acreditava que ele poderia conter informações sobre a mãe, Teri, e o que realmente aconteceu em Atlanta durante o colapso.
O tablet estava protegido. Mas Jeremy, ao saber da descoberta, ofereceu ajuda — pedindo ao avô Kane Bradford que desbloqueasse o aparelho. E foi então que Presley se deparou com uma verdade brutal: Atlanta havia sido atingida por dois mísseis termonucleares. E os bilionários que construíram Paradise — incluindo Sinatra — haviam encoberto essa informação.
Numa série sobre o que os poderosos escondem, foi uma adolescente quem chegou mais perto da verdade.
Uma sobrevivente discreta num mundo de segredos
O que torna Presley Collins um personagem tão eficaz é a recusa da série em transformá-la numa heroína convencional. Ela não tem treinamento de combate. Não tem acesso privilegiado a informações. Tem atenção, persistência e a vantagem de ser subestimada por praticamente todos ao redor.
Quando Jane Driscoll decidiu não a matar — numa escolha que diz muito tanto sobre Jane quanto sobre a percepção que o personagem gerou dentro da narrativa —, ficou claro que Presley havia se tornado algo que a série precisava proteger. Não apenas como filha de Xavier, mas como personagem por direito próprio.
Na segunda temporada, ela segue presente e com papel expandido, carregando o peso do que descobriu e navegando as consequências de um mundo que agora sabe ser muito mais sombrio do que o bunker sugeria.
Aliyah Mastin e a construção do personagem
Aliyah Mastin chegou ao papel de Presley Collins com uma trajetória já marcada pelo palco. Ela fez sua estreia na Broadway interpretando Jovem Nala em O Rei Leão — experiência que, segundo a própria atriz, foi uma escola de presença cênica e de como segurar a atenção do público mesmo num papel de apoio.
Antes de Paradise, Mastin também esteve no elenco de Honey Girls, da Netflix, e participou do documentário Stamped from the Beginning. Porém, foi como filha de Xavier Collins que ela conquistou visibilidade real — e a crítica foi unânime em destacar a naturalidade da dinâmica entre ela e Sterling K. Brown.
A atriz descreveu o processo de criação do personagem como uma oportunidade de fazer coisas em tela que nunca havia feito antes. Além disso, Mastin declarou estar escrevendo músicas próprias — um caminho criativo paralelo que sugere que Presley Collins foi apenas o começo de uma trajetória mais longa.

O coração jovem de Paradise
Num thriller político construído sobre poder, culpa e conspirações, Presley Collins representa algo diferente: a perspectiva de quem ainda não aprendeu a aceitar as mentiras convenientes. Ela pergunta o que os adultos ao redor preferem não responder. Ela guarda o que encontra até entender o que fazer com isso. E ela sente, com uma clareza que a experiência ainda não embotou, a diferença entre o que é justo e o que é praticado.
Em Paradise, onde quase todos os personagens sabem de algo que escondem, Presley Collins é a rara exceção: uma personagem que, ao descobrir a verdade, não sabe bem como viver com ela — e é exatamente essa honestidade que a torna tão poderosa.
Você acha que Presley vai ter um papel ainda maior na terceira temporada? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe Paradise com quem ainda não conhece a série.














