Treze anos. Seis temporadas. Um personagem que saiu das telas e invadiu o guarda-roupa, o vocabulário e o imaginário de uma geração inteira. A despedida de Tommy Shelby finalmente chegou — e ela é, ao mesmo tempo, exatamente o que os fãs esperavam e um pouco menos do que mereciam.
Peaky Blinders: O Homem Imortal chega à Netflix em 20 de março de 2026, dirigido por Tom Harper e com roteiro de Steven Knight. O subtítulo não é acidental: homens copiaram o corte de cabelo de Tommy, colocaram a boina de volta na moda e fizeram do termo “frio e calculista” quase sinônimo do personagem. É justo dizer que Cillian Murphy construiu algo maior do que qualquer série poderia conter.
Um Tommy quebrado, mas ainda de pé
Quando O Homem Imortal começa, seis anos se passaram desde o fim da série original. Tommy está em exílio voluntário, isolado de família, poder e status — cansado das perdas que ele mesmo causou ou não conseguiu evitar. A câmera o encontra escrevendo sua própria biografia, assombrado pelas lembranças dos mortos que o acompanham todos os dias.
Murphy entrega o Tommy mais exausto que já interpretou. Os fios brancos no cabelo, o olhar mais pesado, a lentidão nos movimentos — tudo comunica um homem que carrega décadas de sacrifício no corpo. Steven Knight traduz esse desgaste com precisão, e é nessas cenas mais silenciosas que o filme funciona melhor.
O problema é que O Homem Imortal precisa arrancar esse Tommy do exílio rapidamente. A Segunda Guerra Mundial bate na porta dos Shelby, e o método escolhido por Knight para isso é brutal e chocante — coerente com o universo da franquia, mas que exige um desenvolvimento que 120 minutos não comportam com folga.
A passagem de bastão que precisava de mais espaço
O maior desafio narrativo do filme é equilibrar a despedida de Tommy com a apresentação de Duke Shelby, interpretado por Barry Keoghan, como novo líder da família. Keoghan entrega violência e brutalidade na medida certa para o personagem, mas seu papel não tem o peso que deveria ter. O tempo simplesmente não foi suficiente para construir essa transição com o cuidado que ela merecia.
O mesmo acontece com o vilão interpretado por Tim Roth: carismático, mas sem a presença ameaçadora que um antagonista fascista exige — especialmente se comparado ao Oswald Mosley de Sam Claflin, que dominou as últimas temporadas da série.
A exceção fica por conta de Rebecca Ferguson. Na pele da cigana Kaulo, a atriz entrega sedução e mistério com precisão, e sua presença ecoa a falta que Polly Gray deixou na vida dos Shelby desde sua morte. É a participação mais bem calibrada do elenco de apoio.

Uma despedida digna, mas tímida
O filme funciona como retrato histórico dos primeiros anos difíceis da Segunda Guerra Mundial para os ingleses, e essa escolha de cenário inicialmente parece acertada para o canto do cisne de Tommy. Mas a costura entre o recorte histórico e a passagem de bastão exigiu cortes — de personagens, de histórias paralelas, de respiração narrativa.
A sensação que fica é de que tentaram encaixar uma temporada inteira de seis episódios em menos de duas horas. Com muita frequência, o filme parece uma repetição do material antigo da série em vez de uma evolução dele.
Ainda assim, quando Tommy Shelby finalmente dá as caras de verdade — quando o Tommy de sempre surge por baixo do homem cansado — o filme lembra por que esse personagem durou treze anos. Os Shelby ainda têm cartas na manga, e a passagem de bastão é realizada à altura da franquia.
Por ordem dos Peaky Blinders: foi uma honra assistir.
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