Nem todo antagonismo vem disfarçado de crueldade. Às vezes ele chega com armadura reluzente, postura impecável e uma convicção absoluta de que está certo. Maekar Targaryen é esse tipo de figura — incômoda, complexa e impossível de ignorar.
Interpretado por Sam Spruell em O Cavaleiro dos Sete Reinos, Maekar é o quarto filho do Rei Daeron II e irmão mais novo do Príncipe Baelor. Governa Solarestival com mão de ferro e carrega consigo uma tensão permanente entre o que ele é e o que poderia ter sido.
Maekar Targaryen: a sombra de um irmão mais brilhante
Crescer à sombra de Baelor Targaryen não é tarefa simples. O irmão mais velho é respeitado, querido e visto como o futuro ideal de Westeros. Maekar, por sua vez, é competente, mas severo. Disciplinado, mas distante. Reconhecido, mas nunca celebrado da mesma forma.
Essa dinâmica marca Maekar Targaryen de forma profunda. Ele não é invejoso no sentido rasteiro da palavra. É um homem que internalizou o próprio lugar na hierarquia familiar e transformou essa posição em rigidez. O ressentimento existe, mas está sempre contido, nunca declarado.
Sua postura autoritária como pai reflete isso. Maekar exige excelência dos filhos porque excelência é o único idioma que o mundo ao redor sempre usou para medi-lo.
Os filhos de Maekar: um espelho partido
Pai de Daeron, Aerion, Aemon e Egg, Maekar representa a ironia cruel de um homem que dedicou a vida à disciplina e produziu resultados radicalmente diferentes do que esperava.
Daeron é dissoluto e dado ao alcoolismo, fugindo das visões proféticas que o atormentam. Aerion é cruel, instável e convicto de que é um dragão aprisionado em corpo humano. Aemon rejeitará o mundo secular e seguirá para a Cidadela. Egg, o caçula, foge de casa disfarçado para aprender sobre o mundo real.
Portanto, cada filho representa uma forma diferente de rejeitar o modelo paterno. Nenhum deles se tornou o guerreiro obediente e disciplinado que Maekar idealizava. Isso não é coincidência — é consequência direta de uma paternidade que priorizou a formação do cavaleiro e negligenciou a do ser humano.
O golpe acidental que muda tudo
O Julgamento por Sete é o momento mais devastador para Maekar Targaryen, e não por razões óbvias. Durante o combate, em meio ao caos da batalha, ele desfere um golpe que atinge o próprio irmão Baelor na cabeça. O ferimento é fatal.
A série deixa ambígua a intenção por trás do golpe. Maekar afirma que foi acidente — ou, nas suas próprias palavras, a vontade dos deuses. Mas o peso que ele carrega após o evento sugere algo mais complicado do que um simples erro de combate.
Westeros perde seu herdeiro mais promissor. Maekar perde o irmão. E, de certa forma, perde também a última barreira entre ele e o poder que nunca buscou abertamente. Essa ambiguidade é o coração do personagem.
Maekar Targaryen e a decisão que define seu arco
No desfecho da primeira temporada, Maekar oferece a Dunk a chance de permanecer em Solarestival para treinar Egg. O cavaleiro recusa e propõe levar o garoto consigo na estrada. Maekar proíbe a ideia de ver o filho mais novo crescer como um simples camponês.
No entanto, Egg parte mesmo assim — mentindo ao dizer que o pai havia permitido. A cena final em que Maekar procura por Aegon e se irrita com o sumiço do garoto é reveladora. Há raiva, sim. Mas há também algo que se parece com resignação.
Em algum nível, Maekar sabe que os métodos tradicionais falharam com Aerion e Daeron. Egg, ao escolir o mundo real em vez da corte, pode estar fazendo exatamente o que um futuro rei precisa fazer. O pai severo talvez entenda isso melhor do que demonstra.
O destino de Maekar nos livros de Martin
Nas novelas de George R. R. Martin, Maekar Targaryen acaba ascendendo ao trono após a morte de Baelor e os desdobramentos que se seguem. Torna-se Maekar I, governando Westeros com a mesma austeridade que marcou sua vida inteira.
Seu reinado termina em batalha. Ele morre enfrentando um senhor rebelde, numa morte que os registros históricos de Westeros descrevem como honrosa, mas sem glória. É um fim coerente com o personagem: não a grandeza que Baelor teria tido, mas a dignidade de alguém que cumpriu o que acreditava ser seu dever até o fim.

Sam Spruell e a construção de um personagem incômodo
O ator Sam Spruell descreveu o papel como um exercício de ambiguidade emocional. Segundo ele, a morte de um irmão pode significar algo ao mesmo tempo trágico e progressivo para a própria vida — e essa contradição interna é exatamente o que sustenta Maekar Targaryen em cena.
Spruell transmite a rigidez do personagem sem torná-lo caricato. Há momentos em que o espectador quase simpatiza com Maekar — quando ele demonstra preocupação com Egg, quando carrega o peso visível do golpe contra Baelor, quando percebe que os filhos se tornaram tudo aquilo que ele tentou evitar.
Afinal, Maekar não é um vilão. É um pai que não sabia como ser pai, num mundo que nunca lhe ensinou essa diferença.
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