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Griffith: o personagem mais perturbador da cultura geek

⚠️ Este artigo contém spoilers de Berserk.

Existe um momento em Berserk que divide a obra em dois pedaços — um antes e um depois. O Eclipse. E no centro desse momento está Griffith: o personagem mais perturbador, mais fascinante e mais discutido que a cultura geek já produziu.

Criado por Kentaro Miura, Griffith não é um vilão comum. Ele é algo mais difícil de classificar — e é exatamente essa dificuldade que o torna inesquecível.

O líder que todos queriam seguir

Nos primeiros arcos de Berserk, Griffith é apresentado como o tipo de personagem que raramente aparece na ficção: genuinamente carismático, visionário e capaz de inspirar lealdade incondicional em pessoas completamente diferentes entre si. Ele nasceu na pobreza e decidiu, ainda criança, que teria seu próprio reino — não por vaidade, mas por uma convicção quase sobrenatural de que era destinado a algo maior.

A Banda do Falcão nasceu dessa convicção. Um grupo de mercenários improváveis que vencia guerras impossíveis, liderado por um homem que parecia incapaz de perder. Guts, o maior guerreiro da banda, seguiu Griffith não por obrigação — mas porque, pela primeira vez na vida, encontrou alguém que parecia ter uma direção real.

Essa dinâmica é o coração emocional de Berserk. E Miura a construiu com tanto cuidado que quando tudo desmorona, o impacto é devastador precisamente porque o público também acreditou em Griffith.

A queda e o que ela revela

A trajetória de Griffith rumo ao Eclipse não é uma virada repentina. É uma descida gradual, dolorosa e, em partes, compreensível — o que a torna ainda mais perturbadora.

Após ser aprisionado e torturado pelo reino de Midland por um ano inteiro, Griffith saiu irreconhecível: mudo, com os tendões cortados, incapaz de lutar ou falar. O homem que havia prometido um reino para si próprio estava reduzido a uma sombra. E foi nesse estado de desespero absoluto que ele invocou o Eclipse — sacrificando toda a Banda do Falcão, incluindo pessoas que dariam a vida por ele, para renascer como Femto, um dos cinco Apóstolos Deus.

O ato não tem justificativa moral possível. Mas Miura teve o cuidado de construir os passos que levaram até ele — e isso é o que separa Griffith de um vilão comum. Ele não é o mal por natureza. Ele escolheu o mal quando o custo do sonho se tornou maior do que qualquer escrúpulo.

Femto e a frieza do que resta

O que emerge do Eclipse não é o Griffith que existia antes. Femto é o que acontece quando o sonho vence completamente o homem — quando o objetivo absorve tudo que havia de humano no caminho até ele.

A cena mais perturbadora de Berserk acontece logo após o Eclipse, e seu impacto não vem da violência em si, mas do olhar de Femto: frio, distante, absolutamente indiferente ao sofrimento que está causando. É o olhar de alguém que abriu mão da própria humanidade de forma deliberada e irreversível.

Anos depois, Griffith retorna ao mundo humano como Visconde Falcão — um salvador que restaura a paz, constrói um reino e é admirado por todos que não sabem o que ele sacrificou para chegar ali. A ironia é brutal: ele conseguiu o sonho. E o mundo o celebra por isso.

Fonte: Imagem/Reprodução

Por que ele continua assombrando

O que torna Griffith diferente de qualquer outro antagonista da cultura geek é que Miura nunca o simplificou. Ele não virou monstro porque era mau por dentro. Virou monstro porque tinha um sonho grande demais e uma humanidade pequena demais para sustentá-lo quando o custo ficou alto demais.

Isso ressoa de forma desconfortável porque não é uma história sobre o mal externo. É uma história sobre o que as pessoas são capazes de fazer quando o próprio desejo se torna a única coisa que importa.

Griffith é perturbador não porque é inimaginável. É perturbador porque, em alguma escala muito menor e muito mais mundana, a lógica que o move não é completamente estranha.

Você acha que Griffith poderia ter feito escolhas diferentes? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe com outros fãs de Berserk.

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