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Distúrbio, de Soderbergh, está no Prime Video em 2026

Poucos filmes conseguem transformar uma limitação técnica em elemento narrativo. Distúrbio, thriller psicológico de Steven Soderbergh disponível no Prime Video, é um desses casos raros. Filmado inteiramente com um iPhone 7 Plus em apenas dez dias, o longa usa a câmera do celular não como curiosidade, mas como ferramenta deliberada de tensão.

O resultado é um filme que parece um pesadelo filmado de dentro. E essa sensação não é acidental.

Uma história de aprisionamento real e mental

Claire Foy, vencedora do SAG Awards por The Crown, interpreta Sawyer Valentini, uma jovem que se mudou de Boston para a Pensilvânia tentando escapar de um perseguidor obsessivo. Ao buscar ajuda psicológica, ela comete um erro burocrático e acaba internada involuntariamente em uma instituição psiquiátrica.

A partir daí, o filme constrói uma armadilha engenhosa: Sawyer acredita reconhecer seu stalker entre os funcionários do hospital. Mas o espectador nunca tem certeza se ela está certa ou se a paranoia tomou conta de sua percepção. Essa ambiguidade sustenta o filme inteiro, transformando cada cena em um exercício de desconfiança.

O elenco conta ainda com Juno Temple como a companheira de quarto instável, Jay Pharoah como um jornalista disfarçado de paciente, e uma participação rápida de Matt Damon como um detetive com conselhos de fazer revirar os olhos.

O iPhone como câmera de vigilância

A escolha técnica de Soderbergh não foi modismo. O iPhone 7 Plus, operando no aplicativo FiLMiC Pro com lentes Moment adicionais, produziu uma imagem que oscila entre o nítido e o granulado, entre o estável e o desequilibrado.

Esse visual inconstante replica com precisão o estado mental de Sawyer. Quando a câmera se fecha no rosto de Foy em ângulo de selfie, o espectador sente a claustrofobia de dentro para fora. Quando os corredores da instituição aparecem em perspectivas distorcidas, o ambiente parece maior e mais ameaçador do que qualquer set construído poderia sugerir.

O orçamento total foi de aproximadamente 1,5 milhão de dólares — exatamente o mesmo que Soderbergh gastou no seu longa de estreia, Sex, Lies and Videotape, em 1989. A coincidência não passou despercebida pelo próprio diretor.

Fonte: Imagem/Reprodução

Um experimento que abriu caminho

Distúrbio não foi a primeira produção a usar smartphone como câmera principal. Sean Baker fez isso com Tangerine, em 2015, usando um iPhone 5. Mas Soderbergh foi o nome de maior peso do cinema americano a adotar essa abordagem, e o impacto na indústria foi imediato.

Logo depois, ele repetiu a aposta com High Flying Bird, drama sobre os bastidores da NBA protagonizado por André Holland, também filmado com iPhone. Os dois filmes estabeleceram que câmeras de celular não são apenas acessíveis — são artisticamente válidas nas mãos certas.

A crítica especializada recebeu Distúrbio com 80% de aprovação no Rotten Tomatoes, elogiando especialmente a tensão sustentada e a performance de Foy. As ressalvas ficaram por conta de inconsistências no roteiro, principalmente no terceiro ato.

Para quem busca um thriller que desafia tanto o espectador quanto os próprios limites do cinema, Distúrbio entrega exatamente o que promete: 98 minutos de desconforto, incerteza e uma Claire Foy que não deixa o olhar sair da tela.

O que você acha da ideia de filmar longas com smartphone? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe com quem curte cinema experimental.

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