Katherine Pryde entrou para os X-Men aos treze anos e foi imediatamente subestimada por todo adulto ao redor. Em poucas semanas, salvou a equipe inteira de uma armadilha do Clube do Inferno sem experiência, sem treinamento e sozinha.
Essa combinação, ser consistentemente subestimada e consistentemente surpreender, define a trajetória de Lince Negra desde a primeira aparição em 1980.
Estas sete curiosidades mostram por que Kitty Pryde é um dos personagens mais importantes da série e por que levou décadas para ser tratada como tal.
1. O personagem foi nomeado em homenagem a uma pessoa real
John Byrne, o artista que co-criou Lince Negra com o roteirista Chris Claremont, estudou na Alberta College of Art and Design no Canadá em 1973. Lá conheceu uma colega de nome Kitty Pryde. Byrne gostou tanto do nome que prometeu a ela criar um personagem com seu nome quando tivesse oportunidade. A promessa foi cumprida sete anos depois, quando Kitty Pryde estreou nos quadrinhos.
A colega real ficou inicialmente honrada e participou de algumas convenções de quadrinhos nos anos seguintes. Porém, com o crescimento da popularidade do personagem, o volume de atenção dos fãs ficou tão intenso que a Kitty Pryde real mudou seu nome publicamente para K.D. Pryde para conseguir viver sem ser constantemente associada à personagem fictícia.
2. Ela foi pensada para ser o personagem de identificação dos leitores adolescentes
Quando Claremont e Byrne criaram Kitty, a intenção editorial era ter um personagem que funcionasse como porta de entrada para leitores jovens. Claremont afirmou que vários traços da personalidade de Kitty vieram da filha da editora Louise Simonson, Julie, cujo comportamento e voz informaram como a personagem falava e reagia nos primeiros arcos. Era a única adolescente numa equipe de adultos, e sua perspectiva inicial foi central para a narrativa dos anos 1980.
Com o tempo, essa função de aprendiz foi substituída pela de heroína plena. A trajetória de Kitty de garota de treze anos que atravessava paredes sem controle para líder dos Carrascos numa nação mutante é um dos arcos de desenvolvimento de personagem mais longos e consistentes de toda a franquia.
3. Ela teve o papel alterado para o filme de Dias de um Futuro Esquecido
Nos quadrinhos originais de Dias de um Futuro Esquecido, de 1981, foi Kitty Pryde a mutante que viajou no tempo, enviando sua consciência do futuro distópico para o corpo de sua versão jovem no passado. No filme de 2014, o estúdio substituiu-a por Wolverine, argumentando que o personagem de Hugh Jackman era mais comercialmente apelativo.
Para compensar a mudança, o diretor Bryan Singer deu a Kitty uma mutação secundária específica para o filme: a capacidade de enviar consciências pelo tempo. Essa decisão criou a ironia de Kitty perder seu próprio papel central na história, mas ganhar o poder necessário para viabilizar o papel que foi dado a outro personagem.
4. Ela se tornou intangível permanentemente e ficou presa no espaço por dois anos
Em um dos sacrifícios mais marcantes da história dos X-Men, Kitty usou seu poder ao máximo para tornar intangível uma bala gigante que estava a caminho da Terra, atravessando-a pelo planeta inteiro e enviando-a ao espaço. O processo a deixou presa na forma intangível dentro da bala, incapaz de voltar ao estado sólido.
Ela ficou presa no espaço por aproximadamente dois anos nos quadrinhos, viva mas incapaz de falar, gritar ou ser tocada e o retorno foi viabilizado por Magneto, que usou seus poderes magnéticos para trazer a bala de volta à Terra em um esforço que quase o matou. Mesmo após retornar, Kitty passou tempo adicional presa na forma intangível antes de conseguir voltar à normalidade.

5. Ela é uma programadora de computadores de nível excepcional
Por trás da heroína de combate, Kitty Pryde é uma das mentes mais agudas em tecnologia de toda a Marvel. Ela aprendeu a programar ainda criança, antes de se tornar mutante, e desenvolveu essas habilidades ao longo dos anos. Os quadrinhos já mostraram Kitty hackeando sistemas de origem alienígena, como os do Império Shi’ar, com a mesma facilidade com que lida com tecnologia terrestre.
Ela é comparada ao Cifra, personagem cujo poder mutante é a compreensão instantânea de qualquer linguagem, incluindo linguagens de programação. Essa combinação de intangibilidade e domínio tecnológico torna Kitty especialmente perigosa em ambientes de alta segurança: ela atravessa as paredes fisicamente e destrói os sistemas eletrônicos pelo simples contato.
6. Ela encontrou um dragão alienígena em uma missão espacial e o trouxe para a Terra
Durante uma aventura no espaço que envolveu o Império Shi’ar, Kitty encontrou um pequeno dragão alienígena que havia sido predador natural de uma espécie inimiga. Kitty desenvolveu uma conexão imediata com o dragão e o chamou de Lockheed. Lockheed se tornou seu companheiro constante por décadas de histórias.
Esse vínculo funcionou como um paralelo com outras amizades improváveis dos X-Men. No caso de Kitty, o parceiro era literalmente um dragão alienígena de língua de fogo que queimava inimigos enquanto pousado no seu ombro. O que poucos sabem é que, muito depois, foi revelado que Lockheed estava secretamente trabalhando como agente da S.W.O.R.D., a organização de defesa extraterrestre da Marvel. A lealdade definitiva de Lockheed, no fim, estava sempre com ela.
7. Ela foi excluída da nação mutante de Krakoa sem explicação
Quando Krakoa foi estabelecida como nação mutante soberana, os portais de entrada foram criados para que qualquer mutante pudesse atravessá-los. Kitty descobriu que não conseguia passar pelos portais. Sem uma explicação clara, ela ficou de fora de sua própria espécie de forma literal e simbólica.
Essa exclusão a levou a adotar o nome Kate Pryde e a liderar os Carrascos, uma equipe que operava pelo mar para resgatar mutantes perseguidos que não podiam chegar a Krakoa. A personagem que passou décadas sendo subestimada dentro dos X-Men acabou se tornando a líder mais ativa da era Krakoa para aqueles que ficaram de fora da ilha. Kitty Pryde é também um dos personagens mais citados como inspiração por leitores que cresceram acompanhando os X-Men. Ela demonstrou ao longo de quarenta anos que coragem não tem a ver com tamanho, nem com poder. Tem a ver com escolha.





