Westeros é repleta de personagens cujo peso vem não do que fizeram, mas do que poderiam ter feito. Valarr Targaryen se encaixa nessa categoria com precisão dolorosa — um príncipe jovem, disciplinado e posicionado para herdar o mundo, que a história simplesmente apagou antes que pudesse começar.
Interpretado pelo ator britânico Oscar Morgan em O Cavaleiro dos Sete Reinos, Valarr aparece principalmente no episódio final da primeira temporada. Sua presença é contida, quase silenciosa. Mas o que ela representa para a narrativa da franquia é imenso.
Valarr Targaryen: o Jovem Príncipe de Dragonstone
Filho mais velho do Príncipe Baelor e de Lady Jena Dondarrion, Valarr Targaryen ocupa, no período retratado pela série, a segunda posição na linha de sucessão ao Trono de Ferro. Seu avô, Daeron II, ainda reina. Seu pai, Baelor, é o herdeiro e Mão do Rei. Valarr é o próximo da fila.
Nas novelas de George R. R. Martin, o Jovem Príncipe é descrito como muito semelhante ao pai — mas mais baixo, mais esguio e, segundo os registros do torneio, consideravelmente menos habilidoso na justa. Enquanto Baelor era um guerreiro formidável, Valarr venceu apenas oponentes sem destaque no Torneio de Vaufreixo.
Nas páginas do livro, ele usa armadura negra completa, com uma lança preta e o dragão de três cabeças dos Targaryen esmaltado em vermelho vivo no elmo. Na série, Oscar Morgan interpreta o personagem com cabelos curtos e escuros — diferente do mecha prateada descrita no cânone, mas fiel ao espírito contido e orgulhoso do personagem.
O torneio e o papel de Valarr nas listas de justa
Valarr Targaryen é um dos campeões originais designados para defender a honra de Lady Gwin Ashford no início do torneio. Essa posição é, em si, uma declaração política. Ser campeão inicial significa estar entre os melhores cavaleiros do reino — ou entre os mais importantes pelo nome que carrega.
No caso de Valarr, o sobrenome explica a escolha muito mais do que a habilidade. Sua presença nas listas é protocolada por uma hierarquia que nunca permitiu que enfrentasse adversários à sua altura. Os registros históricos indicam que ele venceu pelo menos nove justas contra oponentes de pouca expressão — e que nenhum cavaleiro com ambições sérias o desafiou diretamente.
Há algo tragicamente irônico nisso. Valarr Targaryen foi poupado dos verdadeiros testes justamente porque seu nome era valioso demais para ser arriscado. E essa proteção excessiva o deixou sem a chance de provar quem realmente era como cavaleiro.
A armadura do pai e o peso simbólico da cena
O momento mais marcante de Valarr Targaryen na série não envolve uma justa nem um discurso. Envolve uma armadura.
Quando o Príncipe Baelor decide lutar ao lado de Dunk no Julgamento por Sete, descobre que não trouxe armadura própria ao torneio — não estava programado para combater, apenas para observar. A solução é imediata: ele pede emprestada a armadura do filho.
Assim, quando Baelor entra no campo de batalha, Dunk o confunde brevemente com Valarr. É um instante de engano visual que a narrativa carrega com peso simbólico. O filho empresta ao pai o invólucro de cavaleiro. O pai morre dentro dele. Quando a armadura é devolvida, ela pertence a um herdeiro que agora está de luto.
Essa troca de armaduras é um dos detalhes mais belos e melancólicos de toda a temporada. Ela vincula pai e filho numa imagem que a série não precisa explicar em palavras.
O vigília e o silêncio que define o personagem
Após a morte de Baelor, Valarr Targaryen passa a noite em vigília ao lado do corpo do pai. É uma cena breve na série — mas profundamente reveladora. Ele não chora em público. Não demonstra raiva. Permanece em silêncio, de pé, cumprindo o protocolo do luto com a mesma contenção que definiu toda sua presença no torneio.
Porém, esse silêncio não é vazio. É o silêncio de alguém que compreende, naquele exato momento, que o mundo mudou. O pai era o futuro de Westeros. Agora esse futuro passou para seus ombros — mais jovens, menos preparados, ainda sem a chance de ser testados de verdade.
Nessa cena, Valarr Targaryen deixa de ser o Jovem Príncipe protegido. Torna-se herdeiro de uma tragédia.
O destino que os livros reservam para Valarr
Para quem acompanha o cânone de George R. R. Martin, o destino de Valarr Targaryen é um dos mais cruéis da cronologia de Westeros — precisamente porque acontece fora de cena, sem batalha, sem drama e sem escolha.
Ele morre na Grande Peste da Primavera, epidemia devastadora que varre Westeros em 209 AC — o mesmo ano dos eventos do Torneio de Vaufreixo. Junto com ele, morrem o irmão Matarys e o próprio Rei Daeron II. Três gerações da linha sucessória eliminadas por uma doença, sem que nenhum deles empunhasse uma espada ou fizesse uma escolha política errada.
Com a morte de Valarr, a linha direta de Baelor se extingue. O trono segue um caminho tortuoso até chegar, eventualmente, a Maekar — o tio severo que vemos em conflito com Egg e Daeron ao longo da temporada. É uma das ironias mais amargas da série: o homem que menos queria o poder foi o que sobrou.

Oscar Morgan e a construção de um personagem de poucas palavras
Oscar Morgan é um ator britânico nascido em Wiesbaden, Alemanha, com passagens por séries como Gotham Knights, da CW, e produções britânicas menores. Em O Cavaleiro dos Sete Reinos, ele recebe um papel que exige mais presença do que diálogo — e entrega com maturidade surpreendente para a extensão do papel.
Valarr Targaryen não tem monólogos. Não tem cenas de confronto direto. Tem postura, tem olhar e tem o peso silencioso de alguém que carrega um sobrenome maior do que ele mesmo ainda consegue preencher.
Afinal, esse é o paradoxo central do personagem: ele nasceu para ser rei. Cumpriu cada protocolo, ocupou cada posto, vestiu cada armadura que lhe pediram. E Westeros não lhe deu a chance de ser nada além do filho de um homem melhor — e do herdeiro de um futuro que a morte levou antes que ele pudesse alcançar.
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