A derrota de Wagner Moura na categoria de Melhor Ator no Oscar não passou despercebida pela imprensa internacional. O The Guardian, um dos jornais mais respeitados do Reino Unido, avaliou que o ator brasileiro foi esnobado ao perder a estatueta para Michael B. Jordan, vencedor pelo longa Pecadores.
A opinião parte de Owen Myers, editor-adjunto da seção americana de artes do veículo. Para ele, a derrota representou um tratamento leviano de uma atuação poderosa e memorável.
Wagner Moura Oscar: o que disse o crítico do Guardian
Myers descreveu a performance de Moura em O Agente Secreto como a de um ex-professor desgastado que enfrenta os horrores de uma ditadura. Na avaliação do editor, a entrega foi forte o suficiente para justificar a estatueta — e ignorá-la foi um equívoco da Academia.
O crítico vai além da análise individual. Em uma reportagem com as principais conclusões da cerimônia, Myers argumenta que os filmes internacionais, de modo geral, não conseguiram se destacar nesta edição. A comparação com anos anteriores reforça o argumento.
Em 2023, o alemão Nada de Novo no Front levou quatro prêmios, incluindo Melhor Filme Internacional, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora e Melhor Design de Produção. Em 2024, o francês Anatomia de uma Queda venceu o Oscar de Melhor Roteiro Original. Portanto, a edição de 2026 representou um recuo expressivo para o cinema de língua não inglesa.
O Agente Secreto e um ano adverso para o cinema estrangeiro
Essa dificuldade não se restringiu ao Brasil. O norueguês Valor Sentimental chegou à cerimônia com nove indicações — um número expressivo para qualquer produção — e saiu com apenas uma estatueta, a de Melhor Filme Internacional. Renate Reinsve, protagonista do longa, também perdeu o prêmio de Melhor Atriz para Jessie Buckley.
Myers reuniu as duas derrotas em uma reflexão direta: em outro ano, tanto Wagner Moura quanto Reinsve poderiam ter dominado as categorias principais de atuação. O consolo, segundo o crítico, é que mais cinéfilos do que nunca puderam conhecer o talento de ambos.
Ainda assim, a análise deixa uma pergunta no ar: o Oscar está se fechando para o cinema de fora dos Estados Unidos, ou foi um ciclo atipicamente favorável às produções americanas?
O Guardian também defendeu O Agente Secreto para Melhor Filme
A posição do The Guardian em relação a O Agente Secreto já era conhecida antes da cerimônia. No início do mês, o principal crítico de cinema do veículo, Peter Bradshaw, defendeu o longa brasileiro como um dos mais sofisticados da temporada.
Bradshaw descreveu o filme como uma obra que transita entre o mistério, a comédia discreta e a tensão política, escalando de forma impressionante até seu ato final. Para ele, O Agente Secreto reunia qualidades que o posicionavam como candidato legítimo à estatueta de Melhor Filme.
A estatueta, no entanto, foi para Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, que dominou a noite com seis prêmios no total.
O que a derrota de Moura representa para o cinema brasileiro
A indicação de Wagner Moura ao Oscar de Melhor Ator já era, por si só, um feito histórico. O ator chegou à cerimônia como vencedor do Globo de Ouro na mesma categoria — um dos indicadores mais confiáveis da corrida rumo ao Oscar.
Além disso, O Agente Secreto o colocou na disputa ao lado de nomes como Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet e Ethan Hawke. Competir nesse nível e ser reconhecido pela imprensa internacional como favorito legítimo posiciona Moura em outro patamar dentro da indústria global.
Para o cinema brasileiro, a lição é ambivalente. Por um lado, o país demonstrou capacidade de produzir filmes e performances que competem de igual para igual com as maiores produções do mundo. Por outro, a edição de 2026 reforça que a Academia ainda tende a premiar produções americanas nos anos em que a disputa é mais aberta.

Um ciclo que ficará na memória
O Agente Secreto encerrou sua campanha no Oscar sem estatuetas, mas com um legado difícil de apagar. Cinco indicações em uma única cerimônia — incluindo Melhor Filme e Melhor Ator — são uma conquista que pouquíssimos filmes brasileiros alcançaram na história da premiação.
A leitura do The Guardian é, ao mesmo tempo, uma crítica à Academia e um elogio ao trabalho de Kleber Mendonça Filho e de toda a equipe do longa. Quando veículos da credibilidade do Guardian defendem abertamente um filme brasileiro como o melhor da noite, algo significativo está acontecendo.
O debate sobre as escolhas do Oscar continuará nos próximos meses. Mas a presença de Wagner Moura Oscar na conversa internacional já garante que este ciclo não será esquecido tão cedo.
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