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A Guerra dos Rohirrim: o anime de Tolkien que dividiu os fãs

Poucos filmes de 2024 geraram tanto debate com tão pouco dinheiro em caixa. O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim estreou nos cinemas em dezembro, acumulou US$ 20,4 milhões em bilheteria global contra um orçamento de US$ 30 milhões e foi encerrado rapidamente nas salas. Disponível no Max desde fevereiro de 2025, o anime encontrou no streaming o público que as telas grandes não entregaram — e chegou ao topo da plataforma em vários países.

A divisão entre crítica e público foi imediata e persistente. Com 49% de aprovação dos especialistas no Rotten Tomatoes, o filme conta com 82% de aprovação do público geral na mesma plataforma. Raramente dois números tão distantes descrevem a mesma obra.

A história que Tolkien não chegou a contar

A Guerra dos Rohirrim se passa 183 anos antes dos eventos de A Sociedade do Anel e narra a origem do Abismo de Helm — a fortaleza onde Aragorn, Legolas e Gimli travaram uma das batalhas mais icônicas da trilogia original. O filme acompanha Helm Hammerhand, o lendário nono Rei de Rohan, e sua filha Héra, forçados a resistir ao ataque de Wulf, senhor Dunlending que busca vingança pela morte do pai.

A protagonista é uma criação original para o filme. Héra não aparece nos textos de Tolkien — ela é citada apenas de passagem nas notas do autor, sem nome e sem desenvolvimento. A roteirista Philippa Boyens, que assina as mesmas adaptações da trilogia original e de O Hobbit, ficou fascinada exatamente por esse espaço em branco: uma personagem presente na história mas apagada da narrativa, esperando para ser expandida.

Essa escolha gerou as reações mais extremas do público. Para uma parte dos fãs, foi uma traição ao cânone. Para outra, foi exatamente o tipo de expansão que o universo de Tolkien pode suportar — e que o autor nunca chegou a fazer por conta própria.

Um anime com alma de princesa Mononoke

A direção ficou com Kenji Kamiyama, veterano japonês conhecido por Ghost in the Shell: Stand Alone Complex e pela série animada de Blade Runner. Sua experiência com mundos densos e mitologias complexas era a escolha lógica para o projeto — e o resultado visual é um dos elementos mais elogiados do filme.

A animação usa um método híbrido: os atores gravaram todas as cenas com captura de movimento, que foi convertida em animação 3D dentro do motor gráfico Unreal Engine. Esse ambiente tridimensional determinou os ângulos e movimentos de câmera, que foram então traduzidos para a animação 2D final. O processo garantiu uma consistência física que animes ocidentalizados frequentemente perdem, mas também criou uma estética que parte do público considerou genérica demais para a profundidade do universo de Tolkien.

As sequências de batalha foram unanimemente elogiadas. O peso dos combates, a brutalidade dos ataques e a escala dos exércitos foram considerados dignos da franquia. A trilha sonora, composta com instrumentação que remete às obras originais de Howard Shore, também saiu sem arranhões das análises mais críticas.

O fracasso de bilheteria que serve a um propósito maior

A Warner Bros. e a New Line Cinema sabiam que o risco era real. Produzir um anime de O Senhor dos Anéis em 2024, concorrendo no Natal com Wicked, Moana 2 e Gladiador 2, era uma aposta comercialmente arriscada desde o início.

O que os executivos não revelaram publicamente — mas o que vários analistas da indústria apontaram — é que o objetivo principal do filme era jurídico, não financeiro. Os direitos cinematográficos da obra de Tolkien exigem produção ativa para não expirar. Com A Caçada a Gollum em desenvolvimento mas ainda sem data de filmagem confirmada à época, A Guerra dos Rohirrim garantiu à Warner mais dez anos de exclusividade sobre a franquia. Um filme de US$ 30 milhões para proteger um patrimônio que já gerou mais de US$ 5,9 bilhões em bilheteria global é, na lógica da indústria, um investimento defensivo completamente racional.

Fonte: Imagem/Reprodução

O que vem a seguir para a Terra-média

A Guerra dos Rohirrim abriu caminho para o próximo capítulo da franquia nas telas. Andy Serkis está na direção de A Caçada a Gollum, com estreia prevista para dezembro de 2027. Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens retornam como produtores e roteiristas. Ian McKellen e Elijah Wood já confirmaram retorno como Gandalf e Frodo.

O anime pode ter dividido opiniões. Mas cumpriu sua função: manteve a Terra-média viva nas telas, garantiu os direitos da franquia e entregou ao streaming um público que a crítica especializada subestimou.

Vale assistir? Para quem tem carinho pela história de Rohan, sim. Para quem esperava uma continuação direta da trilogia original, as expectativas precisam ser ajustadas antes do play.

O que você achou do filme? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe com quem ainda não assistiu no Max.

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