Aos 55 anos e com mais de três décadas de carreira, Ethan Hawke recebeu sua quinta indicação ao Oscar. O reconhecimento vem pelo papel de Lorenz Hart em Blue Moon, longa-metragem dirigido por Richard Linklater que chega ao circuito de premiações como um dos filmes mais comentados da temporada.
A indicação na categoria de Melhor Ator coloca Hawke ao lado de Wagner Moura, Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet e Michael B. Jordan. A cerimônia acontece em 15 de março de 2026, em Hollywood.
Uma transformação de uma década
O papel de Lorenz Hart não chegou de uma hora para outra. Hawke leu o roteiro de Robert Kaplow pela primeira vez em 2014 e carregou o projeto por dez anos antes de finalmente filmá-lo. A espera, segundo o próprio ator, foi parte essencial do processo.
“Rick sabia que o tempo só ia jogar a meu favor”, disse Hawke sobre Linklater. “Eu achava que estava pronto quando tinha 40 anos, mas não estava.”
A transformação física é um dos elementos mais marcantes da performance. Hawke aparece calvo, de baixa estatura e visivelmente desconfortável na própria pele — uma caracterização que destoa completamente do jovem galã revelado em Sociedade dos Poetas Mortos, em 1989. Conseguir esse físico foi, segundo o ator, o maior desafio técnico do projeto.
O filme e seu universo
Blue Moon se passa quase inteiramente no bar de um restaurante da Broadway. A noite retratada é a da estreia de Oklahoma!, o primeiro grande espetáculo criado por Richard Rodgers em parceria com Oscar Hammerstein — deixando para trás a dupla que ele formou por anos com o próprio Hart.
É nesse cenário claustrofóbico que Hart revisita sua trajetória. O roteiro denso e literário é dominado por Hawke, que revelou ter mais falas nos primeiros 30 minutos do filme do que em todos os seus quatro últimos trabalhos juntos.
O elenco conta com Andrew Scott no papel de um frio Richard Rodgers, Margaret Qualley como a jovem estudante de Yale pela qual Hart nutre fascínio, e Patrick Kennedy interpretando E.B. White, autor de A Teia de Charlotte.
A narrativa também aborda, com lirismo, a homossexualidade de Hart — um homem que não escondia sua orientação em uma época em que isso representava um peso considerável.
Dez projetos, uma linguagem comum
Blue Moon marca a décima colaboração entre Hawke e Linklater, parceria iniciada há mais de 30 anos com Antes do Amanhecer. Para Hawke, trabalhar com o diretor é algo que dispensa explicações longas.
“A magia da relação é que é um pouco como andar de bicicleta; você simplesmente não pensa nisso”, definiu o ator.
Essa cumplicidade criativa é visível no resultado. O filme foi construído sobre confiança mútua e uma disposição comum de explorar territórios menos confortáveis — algo que a trajetória dos dois juntos já havia demonstrado em projetos como Boyhood e a trilogia Before.

Uma indicação que resume uma carreira
As indicações anteriores de Hawke ao Oscar vieram por Dia de Treinamento, Boyhood, Antes da Meia-Noite e Antes do Pôr do Sol. Agora, pela primeira vez, ele concorre na categoria principal como protagonista absoluto.
O resultado, segundo o próprio ator, ainda soa surpreendente. “Não sei como posso ter tanta sorte. Realmente não entendo como o universo funciona.”
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