Um dos jogos mais amados da história chegou de volta ao PC em condições que ninguém esperava. A Square Enix lançou no dia 24 de fevereiro uma versão atualizada do Final Fantasy VII original no Steam, substituindo o port de 2013 que estava disponível na plataforma. Em menos de 24 horas, o jogo acumulou uma avalanche de críticas negativas e atingiu apenas 37% de aprovação dos usuários.
O cenário é constrangedor para um dos maiores estúdios do Japão. A comunidade não perdoou, e os comentários na página do Steam deixam claro o nível de frustração de quem esperava uma experiência à altura do legado do jogo.
O que deu errado no lançamento
Os problemas começaram logo na chegada. Quando o jogo foi disponibilizado inicialmente, os arquivos vieram praticamente sem executável, impedindo que os jogadores conseguissem sequer iniciar a experiência. O erro foi corrigido horas depois, mas o estrago já estava feito.
Com o jogo funcionando, os problemas se multiplicaram. A Square Enix elevou o limite de quadros por segundo do combate de 15 para 30 fps na tentativa de aproximar o desempenho da versão original de PlayStation, mas o resultado foi o oposto do esperado: as batalhas passaram a rodar no dobro da velocidade sem que as animações fossem adaptadas. O ritmo do combate ficou completamente fora de sincronia com os efeitos sonoros.
Outro ponto amplamente criticado foi o tratamento visual dos cenários pré-renderizados. Na tentativa de adaptar os backgrounds para resoluções modernas, a Square Enix aplicou filtros de upscaling que resultaram em imagens excessivamente borradas, comprometendo um dos elementos visuais mais marcantes do jogo original.
Funcionalidades removidas e mods em risco
A nova versão também removeu a opção de jogar em widescreen, limitando a experiência ao formato 4:3 original. Para piorar, o relançamento não é compatível com mods, o que afeta diretamente os jogadores que utilizavam o 7th Heaven, popular gerenciador de modificações para o título no PC.
Esse último ponto é especialmente relevante. Por anos, a comunidade de modding manteve o Final Fantasy VII vivo no PC com melhorias visuais, correções e conteúdo adicional. Perder essa compatibilidade representa um retrocesso significativo para uma parcela fiel dos jogadores.
O próprio estúdio responsável pelo 7th Heaven chegou a se oferecer publicamente para ajudar a Square Enix a resolver os problemas, reforçando que conta com programadores, artistas e engenheiros de upscaling dispostos a colaborar. A oferta diz muito sobre o quanto a comunidade ainda cuida desse jogo, mesmo diante de um lançamento oficial mal executado.

A Square Enix já age, mas os problemas persistem
A empresa lançou um patch emergencial que corrigiu o bug de velocidade nas batalhas. No entanto, questões como os cenários pouco nítidos, a ausência de widescreen e a incompatibilidade com salvamentos da versão anterior ainda seguem sem solução.
O episódio expõe um padrão que se repete com frequência na indústria: relançamentos de clássicos que chegam apressados ao mercado sem o cuidado técnico que o material original merece. Quando o jogo tem o peso histórico de Final Fantasy VII, lançado em 1997 e responsável por apresentar os JRPGs a uma geração inteira no Ocidente, a margem para erros é praticamente zero.
A Square Enix tem histórico, capacidade e equipe para fazer melhor. O que faltou desta vez foi tempo, atenção ou ambos. Os fãs merecem uma resposta à altura do legado que ajudaram a construir.
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