Home / Notícias / One Punch Man T3: o colapso que virou caso de indústria

One Punch Man T3: o colapso que virou caso de indústria

Seis anos de espera. Doze episódios. E uma das maiores frustrações coletivas da história recente do anime. A terceira temporada de One Punch Man encerrou sua primeira parte em dezembro de 2025 deixando para trás uma série de recordes — todos pelos motivos errados. Agora, com a Parte 2 confirmada para 2027, a pergunta que domina o fandom é simples e incômoda: vai melhorar?

O episódio que entrou para a história

O episódio 6 da terceira temporada se tornou o episódio de anime com a pior classificação de sempre no IMDb, com notas oscilando entre 2.0 e 2.7 de 10 pontos — estabelecendo um novo mínimo para a série e para a indústria. O contraste com a primeira temporada, produzida pelo estúdio Madhouse em 2015, não poderia ser mais brutal: o episódio mais bem avaliado daquela fase chegou a 9.5 pontos.

Os problemas de animação tornaram-se impossíveis de ignorar ao longo da temporada. Deslizes se multiplicaram — o design claramente equivocado de King the Ripper e a cena de Garou descendo uma encosta de forma completamente rígida tornaram-se memes que circularam pelas redes sociais. Em certos episódios, personagens ficavam estáticos por longos períodos enquanto apenas os lábios se moviam — ou nem isso.

O que deu errado: prazo, não talento

A narrativa mais simples culpa o J.C. Staff — estúdio que assumiu a franquia desde a segunda temporada. Mas a realidade é estruturalmente mais complexa. O animador francês Vincent Chansard, conhecido por trabalhar em One Piece, explicou que o verdadeiro problema pode estar muito acima da equipe criativa: nos prazos absurdos impostos pelo comitê de investidores. Sua conclusão foi direta: “O J.C. Staff é um estúdio que aprendeu a sobreviver.”

O diretor Shinpei Nagai revelou que tentou implementar um novo fluxo de trabalho unindo técnicas 3D e 2D para economizar tempo de produção — mas não havia tempo suficiente nem para testar essa abordagem. Apesar dos fãs acreditarem que o anime teve seis anos de produção, o projeto só começou para valer meses antes da estreia. Imaginar a escala das batalhas do Arco da Associação de Monstros sendo animadas em menos de seis meses é entender por que o resultado foi o que foi.

O diretor que saiu pelas portas do fundo

A polêmica levou o diretor Shinpei Nagai a deletar seu perfil nas redes sociais após semanas de assédio intenso por parte dos fãs. A decisão gerou debates dentro da própria comunidade — parte do público defendeu que a responsabilidade pelo colapso não era individual, mas sistêmica. Animadores veteranos se manifestaram publicamente em defesa da equipe de produção, apontando para as condições de trabalho como fator determinante.

O episódio expôs, mais uma vez, uma ferida antiga da indústria japonesa de animação: calendários impossíveis, terceirização de cenas complexas e pressão comercial que transforma produções promissoras em produtos abaixo do padrão mínimo esperado.

Fonte: Imagem/Reprodução

A Parte 2 e a chance de redenção

O comitê de produção confirmou, após o episódio final da temporada, que One Punch Man retornará em 2027 com uma segunda parte. A confirmação chega num momento particularmente delicado, com a série sendo amplamente considerada o anime mais decepcionante de 2025.

A questão central para 2027 é simples: o tempo adicional de produção será usado para corrigir o processo — ou o resultado será mais do mesmo? O arco da Associação de Monstros ainda tem batalhas importantes a adaptar, incluindo o confronto entre Saitama e Garou, considerado por muitos leitores o auge do mangá de Yusuke Murata. Se a Parte 2 falhar nesse momento, a franquia pode não se recuperar.

One Punch Man foi, em 2015, o símbolo de tudo que o anime podia ser. Hoje é o símbolo de tudo que a indústria ainda precisa resolver.

O que você acha: a Parte 2 em 2027 pode salvar a temporada? Deixe nos comentários e compartilhe com outros fãs da franquia!

Compartilhe:
Marcado:

Um comentário

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *