Matt Damon afirmou que A Odisseia, de Christopher Nolan, será o último grande filme em película de sua carreira. Entenda o fim de uma era no cinema.
Em participação no podcast Skip Intro da Netflix, Matt Damon fez uma declaração que resume décadas de transformações em Hollywood. Para ele, A Odisseia, épico de Christopher Nolan baseado no poema de Homero, será o último grande filme em celuloide de sua carreira.”Quando estava filmando no ano passado, senti que essa era minha única chance na vida de fazer um filme no estilo de David Lean”, afirmou.
A comparação com o diretor de Lawrence da Arábia não é casual.
Damon reconhece que Nolan pertence a uma linhagem cada vez mais rara de cineastas dispostos a abraçar os custos e a complexidade técnica de filmar em película — especialmente em formato IMAX 70mm, como é o caso de A Odisseia.
O último de uma era
A transição de película para digital já está completa em Hollywood. Desde meados dos anos 2010, a maioria absoluta das produções adotou câmeras digitais como padrão. É mais barato, mais rápido e tecnicamente menos exigente. Para diretores como Nolan, porém, a textura visual da película permanece insubstituível.
A Odisseia foi filmada inteiramente com câmeras IMAX de 70mm — uma tecnologia que pouquíssimos projetos ainda utilizam. O formato oferece resolução incomparável e profundidade de campo que o digital, por melhor que seja, não consegue replicar perfeitamente. Mas vem com preço: cada minuto de filmagem consome metros de filme físico, e o processo de revelação é artesanal.
Damon tem razão ao assumir que dificilmente voltará a trabalhar nessas condições. Poucos diretores têm poder de barganha suficiente para convencer estúdios a bancar produções inteiras em película. Nolan é uma exceção, não a regra. E mesmo ele enfrenta resistência crescente conforme a indústria se digitaliza por completo.
Nolan e a defesa obstinada do analógico
Christopher Nolan nunca escondeu sua preferência por película. Desde O Grande Truque, em 2006, até Oppenheimer, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2024, ele manteve o celuloide como pilar de sua linguagem visual. A Odisseia leva isso ao extremo: é o primeiro filme da história filmado inteiramente com câmeras IMAX de 70mm.
O diretor chegou a declarar publicamente que considera o digital “inferior” em termos de permanência cultural. Segundo ele, filmes em película podem ser preservados por séculos se armazenados corretamente, enquanto arquivos digitais dependem de tecnologias que se tornam obsoletas rapidamente.

Essa postura tem custos práticos. O orçamento estimado de A Odisseia é de US$ 250 milhões — valor que reflete, em parte, os custos associados ao uso de película em larga escala. Mas para Nolan, é questão de princípio. E a Universal Pictures, que distribuiu Oppenheimer com enorme sucesso, confia que o investimento se pagará.
O elenco e a jornada épica
A Odisseia acompanha Odisseu, vivido por Matt Damon, em sua longa jornada de volta para casa após a Guerra de Troia. No caminho, ele enfrenta o Ciclope Polifemo, as sereias, a feiticeira Circe e outros seres mitológicos enquanto tenta retornar a Ítaca, onde sua esposa Penélope, interpretada por Anne Hathaway, o aguarda.
O elenco reúne nomes de peso: Tom Holland, Zendaya, Lupita Nyong’o, Robert Pattinson, Charlize Theron, Jon Bernthal e Mia Goth completam o time. Benny Safdie, que interpreta Agamenon, descreveu a experiência de filmar na Grécia como “extraordinária” e afirmou que o resultado será “inimaginável” em escala.
O trailer lançado em dezembro de 2025 quebrou recordes para Nolan. Foram 121 milhões de visualizações em 24 horas — o dobro do desempenho de Oppenheimer e o maior número da carreira do diretor. As sessões IMAX 70mm para a estreia já esgotaram nos principais cinemas dos Estados Unidos meses antes da estreia.
Assista ao trailer:
Julho de 2026: o último grito do celuloide
A Odisseia estreia em 16 de julho de 2026 nos cinemas brasileiros. Para cinéfilos que valorizam a experiência física de assistir a um filme em película projetada, esta pode ser realmente a última chance de vivenciar isso em escala de blockbuster.
Matt Damon tem 56 anos e ainda deve atuar por muitos anos. Mas ele sabe que outra produção com essas características dificilmente cruzará seu caminho novamente. “Senti que essa era minha última chance”, disse ao podcast. E ele provavelmente está certo.
A era digital trouxe avanços imensos ao cinema. Mas algo se perde quando o último rolo de filme é revelado e arquivado. Para Damon, Nolan e uma geração inteira de cineastas, A Odisseia será mais do que um épico mitológico — será o último suspiro de uma era que está, de fato, chegando ao fim.
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