Um estúdio estreante com 30 pessoas criou o GOTY de 2025. Como Clair Obscur: Expedition 33 ressuscitou os RPGs clássicos?
Clair Obscur: Expedition 33 não deveria ter funcionado. Um estúdio francês iniciante chamado Sandfall Interactive, com apenas 30 desenvolvedores, decidiu criar um RPG de turno em pleno 2025. Nessa época, o consenso geral apontava que esse formato estava morto.
Contudo, o jogo vendeu 500 mil cópias em 24 horas após seu lançamento em 24 de abril de 2025. Alcançou 1 milhão em três dias e ultrapassou 5 milhões até outubro. Além disso, venceu nove categorias no The Game Awards 2025, incluindo o cobiçado Game of the Year.
Portanto, algo extraordinário aconteceu. Um projeto de menos de 10 milhões de dólares derrotou franquias milionárias e redefiniu expectativas sobre o gênero.
A premissa que desafia o destino
A história se passa em Lumière, uma cidade isolada inspirada na França da Belle Époque. Anualmente, uma entidade chamada Artífice desperta e pinta um número em um monolito gigante. Todas as pessoas com aquela idade ou mais desaparecem instantaneamente.
Esse evento macabro recebe o nome de Gommage. Começou no número 100 e já chegou ao 33. Quando atingir zero, a humanidade será extinta completamente.
Expedições são enviadas todo ano para tentar matar a Artífice. Nenhuma teve sucesso nas últimas 67 tentativas. Gustave, o protagonista, lidera a Expedição 33 após perder Sophie, seu grande amor, no Gommage mais recente.
Combate que reinventa sem abandonar raízes
O sistema de batalha combina turnos clássicos com mecânicas de ação em tempo real. Durante ataques, o jogador precisa acertar o timing de botões para maximizar dano. Nas defesas, esquivas e contra-ataques exigem precisão cirúrgica.
Essa fusão não é exatamente nova. Jogos como Super Mario RPG já experimentaram com inputs cronometrados. No entanto, Clair Obscur aprofunda essa ideia ao torná-la essencial, não opcional.
Ademais, o sistema de construção de personagens oferece profundidade surpreendente. Pictos funcionam como habilidades passivas equipáveis em três slots. Armas diferentes alteram radicalmente o estilo de combate de cada expedicionário.
Narrativa madura que transcende o escapismo
A trama inicial parece simples: heróis tentam salvar o mundo de uma ameaça apocalíptica. Contudo, a reviravolta no final do segundo ato transforma tudo radicalmente. Gustave morre e é substituído por Verso, um estranho misterioso.
Descobrimos eventualmente que todo aquele mundo existe dentro de uma pintura mágica. A Artífice é Aline, mãe de Verso, que protege a obra de Renoir, seu marido. Ele quer destruir a tela para salvá-la da morte no mundo real.
Dessa forma, o jogo explora luto, escapismo e o valor da vida com profundidade filosófica. Maelle revela-se como Alicia, irmã de Verso desfigurada por um incêndio. Essas camadas narrativas emocionam sem apelar para sentimentalismo barato.
Direção artística que hipnotiza
Visualmente, Clair Obscur impressiona sem depender de fotorrealismo. A estética onírica mistura elementos surrealistas com referências culturais francesas. Cores vibrantes contrastam com atmosfera melancólica de forma magistral.
Além disso, a trilha sonora composta por Lorien Testard alterna entre melodias calmas e músicas de batalha intensas. Essa oscilação reforça a dualidade emocional da jornada. Jennifer English venceu o prêmio de Melhor Performance por seu trabalho como Maelle.
O elenco de vozes ainda inclui Charlie Cox, Ben Starr e Andy Serkis. Essa combinação de talentos elevou as cutscenes cinematográficas a outro patamar de qualidade.
O recorde que silenciou céticos
Clair Obscur: Expedition 33 alcançou a maior pontuação de usuários da história do Metacritic. Superou até Baldur’s Gate 3, que revolucionou RPGs em 2023. Críticos e jogadores concordaram: este é um marco geracional.
O presidente francês Emmanuel Macron parabenizou publicamente a Sandfall Interactive. Raramente um jogo recebe reconhecimento governamental dessa magnitude. Isso demonstra o impacto cultural que a obra alcançou.
Além disso, uma adaptação live-action já está em desenvolvimento pela Story Kitchen. A franquia Clair Obscur promete continuações, embora Guillaume Broche não confirme se seguirão a narrativa de Expedition 33.
Finalmente, o sucesso prova que orçamentos gigantescos não garantem qualidade. Paixão, visão clara e respeito pelo gênero superam recursos financeiros ilimitados. O futuro dos RPGs de turno nunca pareceu tão promissor.
Assista ao trailer:
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